por Jóta "The MotherFucker" Stilben, atacante do Sassaricando.
Até
então nunca havia negado emprego. Nunca havia negado um amasso, ou
mesmo um bate-cabelo aos finais de semana. E de pensar nisso, percebeu
que tudo havia mudado por um sonho, uma meta definitiva que – talvez – o
transformaria na lenda máxima do alvorecer arco-irístico faquiano.
Ao sentir a
proximidade do FAC GOL, como quem teme uma aula repositiva de Pescom,
fez questão de aliar conhecimentos teóricos e práticos, como quem
colore, usando Pantone, um disco de sonhos complementares.
Uma mente sã e um corpo de “boy-magia” devem caminhar juntos – disse.
Em
sua rotina diária, muitos eram os conceitos desenvolvidos para o grande
dia. Conceitos esses que iam da Gestalt da marcação ao Punctum e
Studium das fenomenais jogadas. Sentia-se perto do sonho, como Pelé, e
distante da cena, imaginando tudo sendo uma priori de sua vida, tal qual
objeto empírico de Ramon y Cajal. Já havia colocado em sua
agenda-setting os rabiscos garrafais e em forma de espirais silenciosas,
indicando que aquele seria o dia em que faria parte de um valor notícia
magnífico.
Seria Deus, Alá ou
mesmo Krishna, quem traçou o roteiro e dirigiu artisticamente a sua
condição física invejável para aquele momento? Em suas gruas celestiais,
na supervisão de seminários avançadíssimos, estariam eles, os astros,
conspirando para um traveling de sucesso?
Seria ele, ao final
de tudo isso, um objeto de enquadramento dos sonhos de todos que ali
permanecem, dia após dia, a agüentar o salivar dos docentes umidificando
seus cadernos e livros, enquanto as explicações prolixas, paradoxais e
sem sentido fortalecem o ódio e o ócio de um vazio acadêmico?
Ele estava confiante!
Há
muito tempo vinha se preparando sem que ninguém soubesse. Já havia
vestido seu manto baby look em frente ao espelho incontáveis vezes,
todas elas com o frio característico percorrendo seu estômago. As
borboletas faquianas, famosas por acasalarem-se no máximo duas vezes ao
ano estavam fazendo de seu aparelho digestivo uma montanha-russa. Era a
ansiedade clamando-lhe por ser saciada.
Nas Gallerias da cidade de Brasília, se refez:
Trocou
há pouco menos de um mês a mordida e repuxada fronha de seu travesseiro
pelo que havia de mais sagrado em seu guarda-roupas recém aberto: a
camisa do Sassaricando F.A.C, o time que, segundo consta nos mais
tradicionais autos de Sodoma e Gomorra, daria a bola para todos vocês.
E hoje, do mais
alto de seu Loubotin feito à encomenda, beijou Jamal Latrell, seu
querido companheiro de estrada, e partiu para seu destino.
Só os DJ’s mais badalados saberão o desfecho desta epopeia. Porém, perdendo ou ganhando, só existe uma frase, um conceito Russiano, que, de tudo então, sobrará.:
“Mas por quê?”
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